No Brasil estamos acostumados a ter uma igreja em cada esquina. Há programas de TV evangélicos quase a todo instante. Há estações de rádio evangélicas com musica e pregação 24 horas por dia. Há muitos e bons livros, de autores consagrados.
Com esta variedade de material à disposição é difícil imaginarmos que ao sair do Brasil o missionário vai viver em lugares aonde a aridez espiritual é total e assustadora. Há países inteiros aonde não há um livro cristão para comprar e a internet não funciona.

É então que ele vai sentir a falta de apoio espiritual. Pois, ao contrário do que corre em certos círculos, os missionários são pessoas comuns, com suas fraquezas e falhas. Missionário também desanima, também fica triste, missionário também precisa de pastor e de ajuda espiritual.
Um aspecto essencial apesar de pouco visível é a equipe de intercessão. Não é possível sobre valorizar a importância dos intercessores. Trata-se da retaguarda espiritual, daqueles irmãos e irmãs que suportam verdadeiramente o trabalho em oração. Não estou falando daqueles que oram esporadicamente por missões. Estou pensando naqueles que têm um verdadeiro dom ou ministério de intercessão. Que se preocupam em orar fielmente todos os dias e que são sensíveis à voz de Deus para interceder em momentos de crise, que muitas vezes nem entendem.
Recordo-me de um momento particularmente difícil de nossas vidas no campo quando nosso primogênito, Gabriel, estava muito doente com uma infecção intestinal. Com os limitados recursos à minha disposição tentei tratar dele. O hospital da cidade não inspirava a menor confiança e sabia que não podia contar com mais ninguém. Nessas horas ser pai e ser médico é quase insuportável. Eu o via definhando diante de meus olhos e sentia que escapava de minhas mãos. Então numa noite em que o desespero já começava a tomar conta orei em agonia: “Senhor tem misericórdia, tu sabes que não tenho forças para isso, não estou preparado para perder Gabriel“. Foi um grito de angústia na noite africana e o Senhor ouviu. No dia seguinte meu filho começou e melhorar e hoje está aí rondando o computador enquanto escrevo querendo saber se vou ter tempo para ir jogar bola.
O importante dessa experiência foi o que descobri mais de um ano depois, quando visitava uma querida igreja em Campos – Rio de Janeiro. Um grupo de nossas intercessoras fora tocado pelo Espírito Santo para orar especificamente pelo Gabriel certa noite. Não entenderam porque, mas responderam à pressão do Senhor . Oraram e choraram em agonia sem entender a razão, mas profundamente angustiadas e clamando pela vida de Gabriel . Oraram e clamaram até que sentiram paz para descansar . No dia seguinte ligaram para nossa missão mas não conseguiram saber nada. Só depois de várias semanas receberam uma carta falando sobre o sucedido . Quando visitei a igreja conversamos sobre o assunto, verificamos as datas e foi com emoção que confirmamos que elas foram chamadas a interceder exatamente quando precisávamos. Experiências como esta têm se repetido várias vezes, graças a Deus.
Sei que muito do que foi feito na Guiné-Bissau foi resultado da oração de nossos intercessores. Nas guerras é muito maior o número de pessoas de apoio que o de soldados. Missões é guerra espiritual. Não vá para a batalha sem apoio.
Criar e manter um grupo de intercessão é parte importante da preparação para a obra missionária. Descobrir os intercessores vai depender de visitas às igrejas e atenção ao interesse das pessoas. Intercessores são normalmente pessoas simples, dão pouco nas vistas mas são fiéis e conhecem a vida de oração. A manutenção desse grupo de oração vai depender de cartas informativas regulares que são o compromisso do missionário com o seu apoio. Não saia para o campo sem um exército de oração na retaguarda.
Conteúdo extraído do livro Antes do Ide, de Joed Venturini.


Respostas de 2
Me sinto tão feliz por ser uma intercessora da obra missionária. Faço parte da missão ajudando em oração aqueles que estão fazendo a missão em lugares que eu não posso ir. Quando recebir notícias do projeto nos Ribeirinhos através da missionária Débora, sentir como eu estivesse lá. Fico muito feliz por ser convocada pelo Senhor da obra.
Graça e paz!
A oração intercessoria é de grande valia na preparação do missionário ao campo. Ao lidar com o mundo invisível a nossa a nossa guerra não é contra carne e o sangue mas contra principados e potestades, e precisamos dessa ferramenta que é a oração. Aqui na minha Igreja local já criamos um grupo de intercessão missionária para contnuarmos avançando não só nossa Jerusalém, Judeia, Samaria e até confins da terra.