Abraham Durán
- Elas viram a beleza de Jesus (continuação)
Não focamos apenas na atração dos ensinamentos do Senhor, mas também focamos em sua personalidade. O Senhor é um amigo para o que não tem amigos, o provedor para o pobre e o necessitado, o médico para o doente, um pai amoroso para as crianças, um auxiliador para as viúvas, aquele que levanta o intocável, aquele que resgata as pessoas marginalizadas, o campeão contra hipócritas religiosos e ricos exploradores.
Jesus pode se tornar um herói para certos tipos de pessoas: os mendigos espirituais, os enlutados, os mansos (mas também, paradoxalmente, aqueles que buscam a justiça), o misericordioso (mas também aqueles que não podem tolerar o pecado em suas vidas), os pacificadores, e até mesmo aqueles que são perseguidos por fazer a coisa certa. Nós o apresentávamos a eles como o herói que eles estavam procurando. Alguém que podia fazer o que eles apenas desejavam poder fazer.
Nosso objetivo é que Jesus tivesse o mesmo efeito sobre os muçulmanos que ele teve sobre os doze que confessaram “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna” (Jo 6.68), e sobre os guardas que retornaram, de mãos vazias, depois de terem sido enviados para prendê-lo: “Ninguém jamais falou da maneira como esse homem fala” (Jo 7.46).
Nosso objetivo é produzir o efeito que fez com que judeus práticos e conservadores dissessem em seus corações: “Eu não entendo o que ele está falando – soa grosseiro e ofensivo, não está de acordo com o que me foi ensinado desde que eu era pequeno. Mas eu sei que posso confiar no homem. Ele sabe o que está fazendo”. Queremos que eles sejam atraídos para a pessoa de Jesus antes que lhe seja apresentada a doutrina sobre Jesus.
Vimos muçulmanos, que acreditavam em tudo que os muçulmanos ortodoxos pensavam sobre Jesus, tornarem-se seguidores radicais de Jesus – uma vez que concordavam que eram pecadores e que não podiam mudar a si mesmos ou a sociedade. Quando eles assim o fazem, repentinamente os grandes problemas com relação a Jesus como Salvador, Filho de Deus, ou até mesmo Deus, desaparecem. Eles aprendem por experiência que sua palavra sobre outras coisas é a única verdade. Por que eles não deveriam confiar nele nas coisas que ele diz de si mesmo?
Só então é que apresentaremos, nas próprias palavras de Jesus, suas grandiosas afirmações.
- Nós lhes contamos a verdade sobre Jesus
Uma vez que eram atraídos a ele, concentrávamos nossa conversa em Jesus e no papel essencial que ele tem no reino de Deus, no futuro do mundo, e na própria salvação. Usando o exemplo de Pilatos, nós os encorajávamos a tomar uma decisão de compromisso com Jesus, se eles acreditavam que Ele era a salvação do mundo – ou, de modo contrário, que eles o rejeitassem.
Nesta fase, muitos já estavam comprometidos com Jesus e acreditavam que suas palavras eram verdadeiras. Isto em si era um milagre da graça, mas para esta primeira geração de crentes não era sinônimo de acreditar nele como a verdade e abertamente tornarem-se seus seguidores.
- Elas viram a manifestação do reino de Deus
Não é suficiente falar sobre o reino de Deus. Ele deve ser demonstrado. A Bíblia diz que o reino de Deus é demonstrado em poder, não em palavras. Mais especificamente, ela diz que o reino é caracterizado pela justiça, paz e alegria, e manifestado pela expulsão de espíritos maus (Rm 14.17, Lc 11.20).
A primeira geração de crentes, que veio ao Senhor diretamente através dos obreiros estrangeiros, experimentou a manifestação do reino de Deus. Em primeiro lugar, a equipe demonstrou o reino de Deus através de boas obras: vivendo em alegria através do sofrimento, mostrando paz em tempos de grandes dificuldades, ficando do lado da justiça, servindo os pobres, curando os enfermos, educando os ignorantes, suprindo as necessidades dos necessitados.
Contudo, respostas de oração extraordinárias traziam a realidade do reino dos céus diante dos olhos desse primeiro grupo de crentes – às vezes, em sonhos, visões, curas e profecia.
Observe: nem todos os que experimentaram o reino dessa maneira tornaram-se crentes. Alguns até hoje gostam de pedir aos membros da equipe que orem por eles quando estão doentes, mas nunca entregam suas vidas a Jesus.
Estes fenômenos de poder ainda ocorrem regularmente, mas com menos frequência, agora que crentes locais fazem a maior parte do evangelismo, embora curas extraordinárias ainda aconteçam regularmente. Nem toda oração a favor de amigos não crentes que estavam doentes foi respondida. Mesmo assim, os nossos amigos muçulmanos não viam nenhum problema quando Deus não respondia às nossas orações. Eles ainda queriam que orássemos novamente se estivessem doentes.
Para ver a beleza de Jesus, eles precisavam ver a sua compaixão e cuidado por eles ao ficar do lado da justiça, do serviço sacrificial, da orientação divina, e das obras de poder.
A maioria dos muçulmanos nasce em uma comunidade onde eles jogam, estudam e sofrem juntos, e ao final de tudo, esperam morrer lá. Assim, desde o começo, enfatizamos que o novo nascimento no reino de Deus trata de relações, comunidade e missão – não meramente a respeito de um ‘relacionamento pessoal’ com Deus.
- Elas percebiam que havia uma comunidade para apoiá-las
As pessoas entre as quais vivemos faziam tudo juntas e consideravam o bem da família ou da comunidade acima do bem do indivíduo.
Enquanto encorajávamos e trabalhávamos arduamente para manter os primeiros crentes vivendo com suas famílias, nós também, de forma muito intensa, nos tornamos família para estes. Isso exigiu muito de nós, mas era indispensável. Como eles acreditariam no Deus de amor que nós professávamos, se fôssemos menos amorosos do que eles ou se não demonstrássemos amor de maneira que eles pudessem entender em sua própria cultura?
Nós os encorajávamos a compartilhar o máximo que podiam sobre Deus ou Cristo com amigos de confiança, familiares e vizinhos. Explicamos a eles que nascer no reino de Deus significa nascer com uma missão – eles tinham a posição privilegiada de parar com a maldição em sua comunidade e de inaugurar tempos de bênçãos.
Contávamos sobre pessoas de sua própria nação que seguiam Cristo cem anos antes de eles. Estes crentes não tinham sido um modelo para a comunidade, mesmo assim seus descendentes espirituais podiam sentir unidade com aqueles que viveram há muito tempo.
Também, à medida que eles vinham a Cristo, falamos com eles sobre outros crentes (sem dizer-lhes seus nomes), e os encorajávamos a se encontrarem logo que estivessem prontos. Marcamos reuniões em nossa casa nas quais eles descobriram que outras pessoas presentes eram crentes também. Assim eles passavam tempo juntos, se tornavam amigos e descobriam que a outra pessoa também era uma seguidora de Jesus.
Algo importante é que lhes demos também a liberdade de compartilharem Cristo com os outros, celebrarem como uma pequena comunidade, e serem ousados com relação ao Senhor. Mostrávamos que estaríamos com eles nos momentos difíceis, apoiando-os ( e depois, essa mesma atitude foi passada para a igreja). Eles nunca receberam críticas ou foram deixados sozinhos em seus problemas por causa da ousadia a respeito de seu relacionamento com Jesus. Em quase todos os casos, fomos capazes de ficar nos bastidores, mas eles sabiam que estávamos prontos para tomar uma posição pública, caso a situação o exigisse.
A beleza de Jesus é mostrada em comunidade. A igreja é o seu corpo e seu o templo no mundo. Para os muçulmanos virem a beleza de Jesus, eles precisam ver uma comunidade comprometida com ele e uns com os outros – uma comunidade que caminha em amor, bondade, paz e alegria. Uma comunidade de pessoas que mostra, paradoxalmente, poder e fraqueza. Uma comunidade de pessoas que lutam, mas que acabam superando. Eles precisam ver que, mesmo que sejam abandonados e rejeitados por suas famílias físicas, eles serão colocados nos braços amorosos de Jesus, manifestado em carne e osso pelo sua igreja local.
Conclusão
Jesus não chegou do céu como um adulto e disse aos judeus monoteístas e legalistas: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso que acaba de vir do céu, e se você, agora mesmo, se arrepender e colocar a sua confiança em meu sacrifício expiatório, você será salvo”.
Se quisermos compartilhar as Boas Novas do evangelho com nossos amigos muçulmanos monoteístas e legalistas, devemos seguir o exemplo de Jesus – utilizando uma abordagem gradual que levará as pessoas a discernir a verdade e a beleza da personalidade de Jesus, seus ensinamentos e sua vida, e assim motivando-os a serem também seus seguidores.
Extraído do capítulo 20 do livro From the Straight Path to the Narrow Way (2006: Authentic Media)


Uma resposta
O amor de Jesus precisa ser levado passo a passo com sabedoria, amor, olhando com os olhos Dele, olhos espirituais , a fim de sentirmos dentro de nós o amor que somente o Espírito Santo nos leva a sentir.