A importância da saúde emocional em candidatos ao ministério transcultural

Para sermos eficazes no ministério de missões precisamos aprender a vivenciar nossos sentimentos de maneira piedosa.

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Mike Easton

Uma das áreas que não abordamos bem ao preparar pessoas para o trabalho no estrangeiro é a saúde emocional.

Annette Pedersen nos lembra: “A vida missionária é ao mesmo tempo maravilhosa e desafiadora, emocionante e dolorosa. A fim de navegarmos por todos os altos e baixos da obra missionária de maneira sadia, é crucial que os missionários desenvolvam padrões positivos de cuidado emocional.” [1]

Neste artigo, abordarei esse tema em duas partes. Primeiro, analisaremos como deve ser a saúde emocional para todos os crentes. Em seguida, refletiremos sobre como promover a saúde emocional na vida de um missionário.

 

Saúde emocional para todos os cristãos

Nosso Deus é um Deus que sente. As Escrituras revelam que Deus sente amor, tristeza, alegria, raiva, e até ciúmes. [2] Nos evangelhos, vemos Jesus, totalmente homem, experimentando toda a gama de emoções humanas, sem pecar.

Como portadores da imagem de Deus, nós também sentimos e expressamos nossas emoções. Esse é um dos grandes dons que Deus nos deu. O problema é que, devido à Queda, os sentimentos que experimentamos precisam ser redimidos. Ou seja, precisamos aprender a vivenciar nossos sentimentos de maneira piedosa.

Quando nos rendemos a Cristo e recebemos o Espírito Santo somos capacitados a vencer o pecado, mas aplicar isso à forma como vivenciamos nossos sentimentos exige foco e esforço. Nos primeiros passos de nossa vida cristã, somos ensinados a ler a Bíblia, memorizar versículos, orar, ter comunhão com os outros, evangelizar e muito mais.

As disciplinas espirituais contribuem muito para mudar nosso comportamento e renovar nossas mentes.

Começamos a desfrutar de saúde emocional à medida que permitimos que essa renovação alcance nossos corações.

Aprendemos a perdoar e a continuar perdoando. Descobrimos como perseverar em meio ao estresse. Aprendemos a servir com humildade, em vez de com orgulho.

O problema é que nossos antigos padrões de pecado e paixões continuam nos perseguindo.

Somos afetados pela forma como os outros nos trataram no passado. Carregamos mágoas ou traumas de experiências no decorrer da vida e como resultado, podemos carregar sentimentos negativos como desconfiança ou insegurança. Esses sentimentos podem nos impedir de confiar nas pessoas e nos deixar na defensiva. Outros podem ceder à raiva e à fúria ou experimentar ansiedade e momentos de depressão. Todos esses comportamentos inibem nossa capacidade de lidar com mudanças e estresse e nos tornam menos eficazes nas relações interpessoais. Até podem fazer com que sejamos uma pessoa em público e outra em casa.

Quando ainda vivemos em nosso próprio país e nossas vidas são previsíveis, acabamos mantendo uma fachada de “normalidade”. Escondemos nossa bagagem emocional e as áreas que precisam de atenção.

Nos relacionamos na maior parte do tempo com pessoas de quem gostamos. Encontramos uma carreira que nos permite pagar as contas. Criamos rotinas seguras como levar as crianças à escola e ir à igreja. A vida pode ser bastante fácil de se administrar.

 

Saúde emocional para missionários

Tudo isso, porém, muda quando vamos para o campo transcultural. De repente, todas as nossas bases e rotinas são tiradas de nós. Não sabemos para onde ir e provavelmente teremos que usar o transporte público para chegar lá. Não conseguimos manter relacionamentos normais e amigáveis com as pessoas locais porque não falamos a língua deles. E mesmo quando falamos, existem diferenças culturais que levaremos uma vida inteira para aprender. De um dia para o outro, tudo na vida cotidiana fica muito mais complexo.

Nesse contexto, especialmente quando estamos sob estresse, a bagagem emocional que conseguimos esconder e reprimir vem à tona. Isso ocorre porque não temos energia emocional para manter uma fachada enquanto lidamos com as diversas novas demandas. Nossa falta de saúde emocional se torna óbvia para aqueles que convivem conosco.

A qualidade de nossos relacionamentos é afetada, especialmente os mais próximos, com nosso cônjuge e filhos. Nossas vulnerabilidades são expostas em nossa dificuldade de desenvolver relacionamentos saudáveis com nossos colegas de equipe.  oda essa pressão prejudica outras áreas, inclusive a aprendizagem do idioma local ou o exercício do ministério. 

Temos dificuldade em conciliar nossas expectativas com a dura realidade de como as coisas de fato são. Nossos comportamentos idólatras ocultos, como a necessidade de agradar as pessoas ou de manter o controle, podem vir à tona e expor carências que há muito tempo precisavam ser atendidas. Ou talvez episódios específicos do nosso passado para os quais precisamos urgentemente encontrar a cura.

Portanto, o desafio é: Como posso vivenciar saúde emocional enquanto enfrento uma vida nova em outra cultura longe de casa?

Sem dúvida, a saúde emocional é fundamental para que os missionários prosperem e permaneçam em seus campos.

Infelizmente, com demasiada frequência temos visto equipes desestruturadas, ministérios aos perdidos, paralisados e pessoas retornando frustrados ao seu país de origem por não suportarem o estresse da vida transcultural.

Queremos formar missionários que sejam mentalmente fortes, perseverantes, calorosos nos relacionamentos e motivados pelas coisas certas. Queremos que as pessoas prosperem diante do estresse, em vez de desmoronarem. Queremos que as equipes sejam uma fonte de alegria e atraiam para Cristo o mundo em decadência. Queremos que as pessoas permaneçam no campo pelo tempo planejado e até mesmo por toda a vida.

 
Mike Easton é Diretor de Conteúdo do Upstream Collective. Antes disso, Mike foi pastor de missões por oito anos e missionário no exterior por dois anos.  Adaptado com a permissão do autor. 
Publicação original em Developing Emotionally Healthy Sent Ones
 

[1] Extraído do artigo “Before you go: 12 Practical Ways to Evaluate and Strengthen Your Emotional Health”
[2] Ainda que as Escrituras falem das emoções divinas de maneira antropopática, afirmamos que Deus não pode ser mudado, diminuído e de modo nenhum afetado por elas.


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