Lembranças de missões numa região pioneira do Brasil

Como obreiros novos e inexperientes, nós nos desenvolvemos por meio dos erros que cometemos. Nenhum de nós começa o ministério como um uma pessoa madura.

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Exercer o ministério em regiões pioneiras do Brasil era mais comum há 40 ou 50 anos. Este artigo é dedicado à memória de Luiz Ricardo Monteiro da Cruz, que serviu fielmente ao Senhor e impactou centenas de vidas, inclusive a minha. 

Reproduzimos aqui uma de suas cartas, escrita em 2012. Nessas linhas ele recorda seu ministério em Rondônia, três décadas atrás. . .

“Faz pouco tempo tive uma conversa ao telefone com meu aluno Alexsandro. Ele está rumando para Rondônia, onde servirá ao SENHOR num campo pioneiro. Na conversa, percebi a emoção em sua voz.

Meu coração voou para o final dos anos 70 e parte dos 80, quando eu mesmo tive o privilégio de servir naquela região. Primeiro, como itinerante da JMN. Depois, como obreiro em Vilhena, Colorado do Oeste e Cerejeiras. Vieram-me à lembrança as estradas barrentas, a energia escassa, os templos de madeira, os cacaios, mosquiteiros, macacos baianos…

Porém, muito mais do que isso, meu coração foi tomado por cenas inesquecíveis de pessoas atravessando a mata para assistir cultos, de famílias orando com fervor à roda de uma mesa tosca antes do início de mais um dia de labuta na roça sob sol escaldante, de pregações à luz de lamparinas, das reuniões festivas dos jovens, da hospitalidade e paciência dos irmãos para comigo, das vigílias…

Também me lembrei com muita saudade dos momentos de estudo bíblico com colegas missionários à sombra dos escombros da Casa de Rondon, em Vilhena… Rostos queridos de muitos irmãos me vieram à mente…

Rapidamente, meu coração teceu uma lista de bênçãos (tão imerecidas!) recebidas àquela época. Vi-me quase um menino, recém-saído de um seminário, inexperiente… e desejei voltar no tempo com a experiência de hoje, para tentar não errar tanto, para fazer melhor…

Impossível. O tempo é inexorável. Não há como voltar.

Mas quero desejar ao meu aluno e sua esposa as mais ricas bênçãos de Deus nesta nova fase de suas vidas. Que encontrem nas paragens rondonienses as mesmas alegrias que encontrei, e que sejam para aquele povo amigo muito melhores do que eu fui!”

Qualquer pessoa que tenha trabalhado em um ministério missionário em regiões pioneiras pode se identificar com as palavras de Ricardo: lembranças de dificuldades, de tempos difíceis, de vida em condições precárias. Entretanto, lembranças também do fervor espiritual de crentes fiéis, de respostas maravilhosas às orações, do entusiasmo de ver o evangelho avançar em uma área carente.

Nas entrelinhas, ouço Ricardo dizer o que outros obreiros também experimentaram: Sim, a vida e o ministério nesse campo pioneiro foram difíceis, mas nossa experiência com Cristo foi tão rica!

Sem dúvida, o ministério em tais regiões não é para os fracos de coração. A cada dia, você enfrenta novas situações e se vê vivendo de acordo com as próprias pernas. Afinal das contas, você nunca fez isso antes.  Acaba cometendo todos os tipos de erros e aprende à medida que avança.

Em meio a tudo isso, é comum ver respostas incríveis de oração.

Na carta acima, Ricardo expressa muito bem sua gratidão! É como se ele estivesse dizendo: “Deus foi tão bom para mim. Eu não merecia suas inúmeras misericórdias. Ele me resgatou várias vezes e trabalhou apesar de meus muitos erros.”

Quando escreveu este artigo, já havia passado mais de 30 anos desde que Ricardo começou a trabalhar em Rondônia. Ele sentia o desejo de poder voltar e fazer tudo de novo, com o conhecimento e a experiência que possuía atualmente, mas a vida e o ministério não permitem isso. 

Não existe uma máquina do tempo que nos deixa voltar e fazer as coisas melhor. Pelo desígnio de Deus, como obreiros novos e inexperientes, nós nos desenvolvemos por meio dos erros que cometemos. Nenhum de nós começa o ministério como um obreiro maduro! Cada um de nós cresce por meio de experiências difíceis, por tentativas e erros.

Que bênção é o fato de que nenhum de nós serve a Deus isoladamente. Deus nos faz parte de Seu corpo, de modo que trabalhamos no ministério com outros que compartilham da mesma fé. As missões e a vida cristã não foram feitas para serem vividas sozinhas.

Não sei em que ponto você está em sua jornada de missões. Mas espero que, à medida que for avançando, você experimente o que foi mencionado na carta: as respostas surpreendentes de oração, a alegria de ver o evangelho avançar em uma nova área, a rica comunhão com novos crentes, os momentos difíceis em condições precárias, um profundo senso de sua própria falta de experiência, os erros no ministério que se transformam em momentos de bênção, mas acima de tudo, um coração cheio de gratidão pelas muitas misericórdias de Deus.

Imagem ilustrativa (freepik)

Espero que daqui a alguns anos você possa olhar para trás e dizer: “Sim, uma vida investida em missões valeu a pena!” E, se Deus permitir, que seu futuro ministério, como o de Ricardo, seja o de incentivar e treinar a próxima geração de obreiros.

Depois de aprender tanto e ver a fidelidade de Deus em Rondônia, Ricardo lecionou por 25 anos nos programas CPO em Patrocínio, MG e Garanhuns, PE. Ele fez isso com entusiasmo e sacrifício. Como mostra sua carta, Ricardo acreditava em seus alunos e via o potencial deles. Ele nunca perdia uma chance de encorajá-los.

“Senhor, dá-nos mais obreiros como o Ricardo!”

 
David Williams

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Respostas de 3

  1. Precisamos investir tempo para conhecer a Deus e para ouvir sua voz nos direcionando aonde Ele deseja que estejamos.

    1. Verdade Daíse! Deus deseja que seus filhos se aproximem dEle, para que conheçam verdadeiramente quem Ele é e o que desaja para nós. E isso só vai acontecer através de um relacionamento continuo com Ele.

  2. Como é comovente ver pessoas apaixonadas por Jesus e por levar o evangelho àqueles que nao o conhecem. Glória a Deus.
    Que mais pessoas entendam e façam parte desse plano de Deus.

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