As oportunidades de missões hoje são muito variadas e este artigo pretende comentar alguns caminhos alternativos para o campo missionário.
Para apresentar melhor as escolhas, vamos deixar de lado a forma “tradicional” de envio para o campo missionário, que é: após um período de oração e preparação, um obreiro se une a uma agência missionária e é enviado por sua igreja local, depois de angariar apoio financeiro suficiente. Presumo que você esteja familiarizado com essa abordagem!
Em vez disso, compartilharei 5 outros casos (que não estão em ordem de importância) para exemplificar o que vem acontecendo.
- O Cavaleiro Solitário – O primeiro exemplo de obreiro é o ‘cavaleiro solitário’. Ele mantém contato com dezenas de amigos próximos e personaliza o trabalho missionário. Em momentos de crise, quando surge alguma necessidade especial, ele ou ela busca o apoio financeiro desses amigos. Assim, esse obreiro encontra uma forma de morar no exterior e envolver-se em missões, podendo ou não fazer parte de uma equipe local. Essa, porém, não é, de forma alguma, uma maneira sadia de cumprir o “Ide”, pois o obreiro não foi enviado e abençoado por sua igreja local e não presta contas a ninguém, exceto aos intercessores e mantenedores.
- Missão Empresarial (BAM) – Uma pessoa também pode ir para o campo missionário como empresário na modalidade de Missão Empresarial (BAM – Business as Missions), ou seja, estabelecendo seu negócio em um país carente do evangelho.
O mundo do BAM é diversificado e há muitas oportunidades, mas é necessário muita dedicação. O objetivo deles é atingido a longo prazo e a natureza de seu trabalho não permite férias ou licenças prolongadas. Sua intenção é usar o local de trabalho como centro de discipulado e evangelismo. Muitos esperam obter lucro para apoiar projetos sociais e melhorar a qualidade de vida da população local.
Alguns acreditam que os trabalhadores BAM são simples empresários e não necessitam nem de envio da igreja local, nem de sua bênção, oração ou conselho, mas essa visão é questionável. - Missionário Auto-sustentável – Um trabalhador comentou sobre a sua situação anos depois de sua partida para o ministério: “Éramos autossustentáveis e tínhamos uma visão do que queríamos fazer. Estávamos deixando tudo para seguir aquele plano, mas, quando partimos para o campo, parecia que a igreja não compartilhou nosso entusiasmo e não entendia tudo que queríamos fazer”.
Antes de sair para o campo, o missionário autossustentável precisa conscientizar sua igreja local de sua necessidade de ser enviado e sustentado em oração para que a igreja participe desse ministério e exerça o seu papel de supervisão.
- Missionário enviado por uma ONG – Outro caso é o do trabalhador que é enviado pela igreja e ingressa em uma ONG ou organização sem fins lucrativos. Essa abordagem é necessária para oferecer uma razão legítima para a permanência da equipe missionária, especialmente quando se trata de países fechados. As organizações não governamentais normalmente podem conceder vistos para novos obreiros.
- Expatriados envolvidos em Marketplace Ministries – Um último caso é o chamado Marketplace Ministries, ou trabalhadores expatriados que se baseia no exemplo da diáspora judaica. Na época do Novo Testamento a maioria dos judeus vivia fora da Palestina e frequentemente se deslocava como mercadores. O evangelho se espalhou através dessas redes? Sem dúvida! De forma semelhante, hoje, os cristãos podem fazer missões ao encontrarem um emprego no exterior e mudar-se, intencionalmente, para regiões carentes do mundo para compartilhar o evangelho com vizinhos e colegas.
Não é aconselhável, porém, que esses trabalhadores se lancem nessa empreitada de forma autônoma. Suas igrejas locais devem estar alertas para os encorajar, orar por eles, apoiá-los, dando-lhes cuidado e supervisão contínuos.
Citei apenas alguns exemplos e, sem dúvida, existem outros que poderiam ser apresentados. Mas, encerrarei com algumas observações importantes!
- Devemos nos alegrar porque a mensagem de Cristo está sendo proclamada de diversas maneiras em nossos dias;
- Fazer Missões trata-se de enviar missionários que prestam contas à sua igreja local;
- É saudável voltar para casa periodicamente para receber cuidados da igreja que envia e para promover a causa missionária;
- É bom e apropriado que os trabalhadores tenham a aprovação dos líderes de sua igreja e trabalhem sob seus cuidados e supervisão. Contudo, há muito espaço para melhorias de todos os envolvidos – tanto por parte dos trabalhadores quanto das igrejas locais. Muitas vezes, as igrejas se esquecem dos seus membros que servem longe. Em outros casos, os trabalhadores são negligentes em cultivar um relacionamento saudável com os líderes da igreja que os enviou;
- Vamos reafirmar o valor dos trabalhadores que servem numa agência missionária responsável. Tal organização pode ser de grande ajuda, não apenas para o obreiro, mas também para a igreja que está enviando;
- Sem dúvida, todos nós deveríamos, com responsabilidade e compromisso, aproveitar as oportunidades, procurando receber não apenas a oração e o apoio financeiro da nossa igreja local, mas também a sua supervisão, cuidado e sabedoria.
Vimos aqui algumas formas de ir ao campo missionário, mas, gostaria que você guardasse essa observação: não caia no erro do “auto envio” ou de nos tornarmos “profissionais independentes”. O bom relacionamento com nossa igreja local é de suma importância para nossa vida no campo, cumprindo o ide.
D. Williams


Respostas de 3
Muitas vezes o missionário é alguém solitário, não porque ele não tenha um círculo de amizade com pessoas que obedecem e cumprem princípios de Deus, mas por não caminhar com ele, pessoas que tem o mesmo propósito missional, que tem o chamado missionário pois não são muitos os que conhecem e sabem o propósito e caminham em direção a ele.
Por vezes e muitas vezes a própria igreja é uma instituição que não se importa, não apoia e nem conversa com aquele que Deus chamou para ir até os que ainda não conhecem a Jesus, apenas se preocupa consigo mesma, em torna-la mais ampla e confortável, enquanto o missionário caminha sozinho, sem apoio, sem ser visto mesmo ela sabendo que ele está ali.
A vida de oração, conhecimento da palavra e uma boa relação com a igreja local são pontos chave para o sucesso em um trabalho missionário.