Waleed Nassar
Falando como alguem oriundo do Oriente Médio que teve o privilégio de discipular muçulmanos convertidos aqui no Ocidente, vejo dez principais obstáculos para alcançarmos os muçulmanos:
- A inclinação política da igreja com relação a Israel.
A igreja ocidental muitas vezes não consegue ver o conflito no Oriente Médio como algo além de um conflito entre árabes e israelenses. Na verdade, é um conflito entre muçulmanos e judeus que remonta ao tempo do atrito entre Maomé e os judeus da Arábia no século 7.
Se a igreja deseja alcançar os muçulmanos precisa evitar tomar partido. Devemos deixar a política para Deus e nos concentrarmos em compartilhar o Evangelho com os muçulmanos de forma amorosa e imparcial.
- Ensino insensível sobre o fim dos tempos.
Este é o tipo de ensino que vê os muçulmanos como lenha do fogo do Armagedon. Os professores de Bíblia que veem os países árabes como inimigos de Israel e os muçulmanos como o povo da jihad, ou Guerra Santa, fazem mais mal do que bem. Não podemos insultar os muçulmanos em nossa interpretação da Bíblia e ainda esperar que eles respondam positivamente à nossa mensagem.
- Ultranacionalismo.
O orgulho nacionalista dos cristãos americanos frequentemente toma o lugar de sua humildade cristã. “Quem se gloriar, glorie-se no Senhor” (1Coríntios 1:31). Esse tipo de patriotismo limitado e zeloso está muito além das proporções bíblicas. É ofensivo a todos os que não são americanos e, particularmente, aos muçulmanos, que consideram a política ocidental injusta em relação a eles.
- Baixo nível de moralidade.
Nada ofende mais um muçulmano do que “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Sua religião é legalista com grande ênfase na punição de ofensas morais.
Para muitos muçulmanos, o pecado aberto e descarado entre alguns cristãos é uma grande pedra de tropeço. Devemos nos lembrar e demonstrar de forma prática que nossa liberdade em Cristo não significa liberdade para pecar.
- Estilo de vida materialista.
A falta de equilíbrio das doutrinas de “prosperidade” e o estilo de vida materialista de muitos cristãos ocidentais são também pedras de tropeço. Outro obstáculo é a forma nada recatada de se vestir, particularmente entre mulheres cristãs. Nesse aspecto, todos os muçulmanos que discipulei sentem-se, na melhor das hipóteses, desconfortáveis, e extremamente incomodados, na pior delas. São pessoas que vivem no Ocidente há muitos anos, portanto, não é apenas uma questão de adaptação cultural. Elas simplesmente esperam que os valores da igreja sejam mais elevados que os da sociedade em geral (Romanos 2:24).
- Falta de reverência.
Na opinião dos muçulmanos, a maneira como falamos com ou sobre Deus reflete nossa reverência por ele – ou a falta dela.
Os americanos são quase viciados em diversão e, infelizmente, isso tem invadido as igrejas tanto prática quanto teologicamente. Os muçulmanos rejeitam esse tipo de irreverência. Mesmo o humor excessivo nos púlpitos os ofende. Depois de sua conversão, os ex-muçulmanos desejam continuar reverenciando a Deus e desfrutando dele como Pai (Malaquias 1:6).
- Ignorância sobre o islã.
A maioria dos cristãos ocidentais sabe muito pouco, quando sabe alguma coisa, sobre o islã ou sua história, crenças e práticas. Em consequência desse desconhecimento, as pessoas injustamente projetam as imagens midiáticas de Khomeini, Saddam Hussein e fundamentalistas islâmicos sobre todos os muçulmanos.
Essa falta de entendimento reflete-se no púlpito também. Presenciei pregadores sendo aplaudidos de pé enquanto gritavam “Allah não é Deus! Jesus Cristo é Deus!” — não se dando conta de que Allah é a única palavra para Deus na língua árabe.
- Falta de compaixão.
A maioria dos cristãos de hoje tem tanta compaixão pelos muçulmanos quanto os judeus do primeiro século tinham pelos samaritanos. Na melhor das hipóteses demonstramos nossa apatia e falta de interesse. Esta falta de sensibilidade ou preocupação por suas almas devem ser transformadas pelo Espírito de Deus se desejamos alcançar os muçulmanos.
- Falta de oração e evangelismo.
Lamentavelmente, a igreja occidental é geralmente uma igreja que não ora. A vida no Ocidente é tão agitada que as pessoas não sabem como reservar tempo para a oração. Somando-se às barreiras citadas, pode-se compreender o motivo pelo qual o evangelismo de muçulmanos é o mais fraco de todos os esforços missionários.
- Desdém pela cultura muçulmana.
Certa vez ouvi um pastor dizer à sua congregação: “sou feliz por não ter nascido no Irã, nem em um daqueles outros países”. Em certo sentido, entendo seu sentimento, mas não acredito que seja uma atitude cristã apropriada – principalmente vinda do púlpito. E se um iraniano estivesse lá naquele dia?
A igreja ocidental tem a tendência de subestimar todas as culturas não ocidentais. Precisamos começar a apreciar os aspectos positivos da tradição muçulmana – a proximidade dos relacionamentos e a hospitalidade, por exemplo.
Em última análise, não fomos chamados para oferecer a nossos amigos muçulmanos uma adaptação ocidentalizada do cristianismo. Devemos apresentar Cristo e eles responderão a ele.
Fonte: Descobrindo o Mundo do Islã editado por Keith E. Swartley (Editora Esperança 2013) páginas 292-295. Usado com permissão.
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