A ênfase atual em missões mundiais é apresentar o evangelho a etnias ou grupos de pessoas das fronteiras finais. O trabalho de missões assume nesses contextos, duas formas possíveis:
- Missões de diáspora: os obreiros cristãos tentam cultivar relacionamentos com pessoas de grupos étnicos não alcançados que migraram para um grande centro urbano com presença cristã— na Europa, América do Norte ou América do Sul por exemplo.
- Missões de fronteira: os obreiros cristãos se deslocam para países onde os grupos étnicos não alcançados estão localizados.
No segundo caso, entrar nessas áreas como “missionário” não é possível porque este tipo de visto não está disponível. Assim, o obreiro envolvido em missões necessita exercer uma atividade reconhecida pelas autoridades para se estabelecer no local.
Algumas dessas ocupações em missões de fronteira têm sido:
- Empreendedor ou funcionário expatriado de uma empresa;
- Consultor técnico;
- Treinador de esportes;
- Professor de idiomas;
- Voluntário de ajuda humanitária (ajuda emergencial em desastres, prestação de serviços de saúde e construção);
- Projetos de desenvolvimento econômico e de infraestrutura;
- Trabalhador de organizações sem fins lucrativos (com alvos específicos).
A necessidade da busca do status profissional em questão vai além da simples obtenção de visto de entrada ou permissão de trabalho e residência entre um grupo étnico não alcançado. Envolve a identidade do obreiro ou obreira.
É inevitável que, como estrangeiro em um país fechado, o obreiro tenha que responder constantemente às perguntas “Quem é você? O que você faz? De onde vem o seu sustento?” É uma curiosidade natural não apenas por parte das autoridades, mas praticamente de todos os locais com quem o obreiro convive.
Muitos obreiros têm comprovado que a verdade funciona em todos os contextos. Assim, quer eu esteja falando com meu vizinho na Turquia, com minha igreja local no Brasil, interagindo com um novo contato nas mídias sociais ou esteja sendo entrevistado por uma rede de TV de Istambul, minha resposta a respeito de quem sou e do que faço deve ser a mesma.
É mais seguro e santo não precisar mudar minha resposta de acordo com o interlocutor e para isso preciso de fato exercer a atividade que declarei na documentação oficial. Devo ser capaz de falar de forma clara e consistente sobre o que faço e quem sou: “Sou um trabalhador de ajuda humanitária e vivo aqui na Turquia”, por exemplo.
Dessa forma, necessitamos de sabedoria para viabilizar nossa permanência no local dando, ao mesmo tempo, um testemunho digno de nosso chamado. Não é preciso, obrigatoriamente, usar o termo “missionário” e fechar as portas para o ministério.
Em muitos casos, a própria palavra “cristão” pode ter uma conotação desfavorável. Por isso muitos obreiros preferem se identificar como “um seguidor de Cristo”.
Do mesmo modo, não é prudente usar expressões como “conferência missionária”, “cruzada evangelística”, “guerra espiritual”, “converter”, “pregar”, entre outras, na comunicação em geral para não confundir nossos amigos, levar a mal-entendidos ou provocar conversas inúteis.
Nosso principal objetivo é fazer amizades sinceras, apresentando Cristo respeitosamente e demonstrando o que significa ser um seguidor de Jesus por meio de uma vida santificada no lar, nos relacionamentos e no exercício ético, bondoso e excelente de nossa profissão.
David Williams

